domingo, 26 de abril de 2009

Chernobil


O acidente nuclear de Chernobil (Tjernobyl ou Tschernobyl) ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (na então União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas. Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.

O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto. Os agora separados países de Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm suportado um contínuo e substancial custo de descontaminação e cuidados de saúde devidos ao acidente de Chernobil. É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da ONU de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer da tireóide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente. O Greenpeace, entre outros, contesta as conclusões do estudo.


O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países.


A Instalação
A usina de Chernobil está situada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 quilômetros a noroeste da cidade de Chernobil, 16 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, e cerca de 110 quilômetros ao norte de Kiev. A usina era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir um gigawatt de energia elétrica (3,2 gigawatts de energia térmica). Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente. A construção da instalação começou na década de 1970, com o reator nº 1 comissionado em 1977, seguido pelo nº 2 (1978), nº 3 (1981), e nº 4 (1983). Dois reatores adicionais (nº 5 e nº 6, também capazes de produzir um gigawatt cada) estavam em construção na época do acidente.
As quatro instalações eram projetadas com um tipo de reator chamado RBMK-1000.

O Acidente

Sábado, 26 de abril de 1986, à 1:23:58 a.m. hora local, o quarto reator da usina de Chernobil - conhecido como Chernobil-4 - sofreu uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio e numa série de explosões adicionais.

Causas Prováveis

Há duas teorias oficiais, mas contraditórias, sobre a causa do acidente. A primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Ambas teorias foram fortemente apoiadas por diferentes grupos, inclusive os projetistas dos reatores, pessoal da usina de Chernobil, e o governo. Alguns especialistas independentes agora acreditam que nenhuma teoria estava completamente certa.

Outro importante fator que contribuiu com o acidente foi o fato que os operadores não estavam informados sobre certos problemas do reator. De acordo com um deles, Anatoli Dyatlov, o projetista sabia que o reator era perigoso em algumas condições, mas intencionalmente omitiu esta informação. Isto contribuiu para o acidente, uma vez que a gerência da instalação era composta em grande parte de pessoal não qualificado em RBMK: o diretor, V.P. Bryukhanov, tinha experiência e treinamento em usina termo-elétrica a carvão. Seu engenheiro chefe, Nikolai Fomin, também veio de uma usina convencional. O próprio Anatoli Dyatlov, ex-engenheiro chefe dos Reatores 3 e 4, somente tinha "alguma experiência com pequenos reatores nucleares".
Somente no dia 12 de dezembro de 2000, depois de várias negociações internacionais, a usina de Chernobil foi desativada.

É sempre válido lembrar dos perigos e efeitos da energia nuclear. O Brasil pretende continuar
com o projeto de usinas nucleares, portanto, fica o alerta dos cuidados com a segurança e do pessoal extremamente qualificado que devem estar envolvidos no programa.



sábado, 4 de abril de 2009

15 anos sem Kurt.


Neste domingo, 5 de abril, marca-se 15 anos da morte de Kurt Cobain. O cantor, guitarrista, compositor e líder do Nirvana, que havia se tornado ícone do rock dos anos 90 desde o sucesso mundial do disco "Nevermind", em 1991, atingiu o olimpo do rock, se tornando imortal para a cultura popular depois de suicidar-se com um tiro em sua casa, em Seattle.


O Nirvana, ao lançar "Nevermind", apagou a linha que dividia o rock alternativo daquele promovido pelo mercado -separação que se intensificou ao longo dos anos 80, depois da cisão promovida pelo punk no final dos anos 70.


Kurt Donald Cobain, nascido no dia 20 de fevereiro de 1967 em Aberdeen, estado de Washington (o mesmo de Seattle), foi dado como desaparecido no dia 4 de abril de 1994. Ele havia sido internado na Califórnia, poucos dias antes, em coma depois de uma overdose -uma semana após o último show do Nirvana, em Munique, na Alemanha.


Cobain foi encontrado pela polícia em 8 de abril, três dias após sua morte, na estufa localizada no andar acima da garagem. Uma carta de suicídio foi achada no topo de uma montanha de terra --o bilhete estava atravessado pela caneta vermelha com que fora escrito."O fato é que eu não posso enganar vocês, ou qualquer um, simplesmente não é justo para mim nem para vocês. O pior crime que eu posso pensar seria o de enganar as pessoas ao fingir que estou me divertindo 100%", escreveu Cobain em seu bilhete suicida.


Vale a pena escutar Bleach, primeiro album da banda, o clássico Nevermind o acústico MTV.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A Queda de Abramovich


A crise financeira mundial atingiu em cheio o bilionário russo Roman Abramovich. O dono do Chelsea caiu da primeira para a terceira posição no ranking anual dos mais ricos do futebol inglês.

O dono do Manchester City, o xeque Mansur bin Zayed al-Nahyan, arrebatou de Abramovich, o título de homem mais rico do futebol britânico, segundo a "lista de fortunas" publicada nesta quarta-feira.Essa relação, elaborada pela publicação FourFourTwo, estima a fortuna pessoal do xeque de Abu Dhabi em 15 bilhões de libras, o que o coloca à frente do indiano Lakshmi Mittal (12,5 bilhões), proprietário de parte do Queen's Park Rangers.Abramovich ocupa agora o terceiro lugar na lista dos mais ricos, estimando-se que sua fortuna caiu de 10 bilhões para 7 (sete) bilhões de libras devido à crise econômica. O popstar David Beckham continua sendo o "jogador" inglês mais rico, com uma fortuna pessoal de 125 milhões de libras, muito superior a de Michael Owen (40 milhões de libras) e de Wayne Rooney (35 milhões).

domingo, 14 de dezembro de 2008

Leônico - O eterno biônico




Esse blogueiro que vos escreve é um grande entusista do esporte bretão. Preocupado em manter viva a memória do futebol baiano, firmo o compromisso de vez por outra, abordar os times de futebol da Bahia que aos poucos foram sumindo do cenário mas que permanecem vivos na memória daqueles com (bem) mais ou quase 30.



O primeiro a dar o ar da graça é o querido Leônico, o "moleque travesso" soteropolitano. O clube foi fundado em 03 de abril de 1940 por funcionários da empresa Carl Leoni Company. Daí o nome Leoni Co (abreviação de Company) - Associação Desportiva Leônico.As cores adotadas foram o grená e o branco.



Até 1960, o Leleco, como também é conhecido, disputou os campeonatos amadores organizados pela então Federação Bahiana de Desportos Terrestes. O ápice da equipe foi o campeonato baiano de profissionais em 1966. Aliás, nesse ano começaria a sina de ser "biônico" do Leônico. O Leleco não disputou o 1º turno devido a problemas com a Fonte Nova (o estádio estava fechado devido às péssimas condições de conservação, aliás problema antigo, crônico e eterno). Em protesto, Bahia, Leônico, Fluminense e Galícia recusaram-se a participar do certame.



Em 25 de novembro (curiosamente, mesma data do desabamento de parte da arquibancada em 2007) de 1966, o governo estadual solucionou o problema da "Fonte do Futebol" e os "rebeldes" foram admitidos para participarem do segundo turno. E foi nesse momento que a estrela do Leônico brilhou e a equipe conquistou o título mais importante da sua história.



A Campanha:




23/12/1966 - Leônico 5x0 Estrela de Março

30/12/1966 - Leônico 0-0 Ypiranga

06/01/1967 - Leônico 4-1 Guarany

19/01/1967 - Leônico 1-0 SMTC

17/02/1967 - Leônico 2-0 São Cristovão

23/02/1967 - Leônico 5-1 Galícia

03/03/1967 - Leônico 1-0 Fluminense

08/03/1967 - Leônico 1-1 Botafogo

12/03/1967 - Leônico 1-0 Vitória

27/03/1967 - Leônico 3-2 Bahia


Decisão do Título (melhor de 3)


02/04/1967 - Leônico 2-0 Vitória

09/04/1967 - Leônico 1-2 Vitória

16/04/1967 - Leônico 2-1 Vitória


Vou ficar devendo a escalação da equipe pois não é tarefa fácil. Mas assim que a encontrar, postarei aqui.

"O Leônico era o grande entre os pequenos e tem a admiração dos desportistas baianos.Ganhava os Bernardo Spectors quase todos. Bernardo Spector era uma taça disputada pelos clubes que não entravam no Nacional. Mantinha o emprego da boleirada o ano todo e divertia a galera nas preliminares. O Moleque Travesso ganhava muito torneio início e era time valente" afirma o cronista esportivo Paulo Leandro no site http://www.portalesportivo.com.br/


Em 79 e 85, o Leônico disputou o paquidérmico Brasileirão, disputando 38 jogos, vencendo 13, empatando 6 e perdendo 19. A equipe grená marcou 42 tentos, sofrendo 50, com um saldo negativo de 8. Na década de 80, por força dos regulamentos mirabolantes dos cartolas baianos, o time era sempre biônico nas fases finais.

Além do título de 1966, o Leônico chegou às decisões de 1978 e 1984, perdendo ambas para o Bahia, o tricolor de aço. Porém, foi campeão de 3 Torneios Início (1965, 1975 e 1978).

Entre os maiores nomes que vestiram o manto grená, destacaria Douglas, ídolo também no Bahia, o goleiro Iberê, de visual a la Coalhada e Ronaldo, artilheiro matador, que depois jogaria no Fluminense de Feira.

Depois da morte de João Guimarães o clube foi perdendo força e terminou sendo rebaixado em 1992 para a divisão de acesso do futebol baiano. Depois de fechar as portas e de um longo período de inatividade, a equipe ensaiou uma volta aos gramados. Porém, em 2007 protagonizou um dos maiores vexames da sua história ao tomar 10x0 do Guanambi, valendo pela segundona baiana. Houve queixas de facilitação do jogo por parte do Galícia (concorrente direto por uma vaga na final), além de denúncias de ameaça de morte destinadas ao goleiro do Leônico, que disse ter sido intimidado por torcedores do Guanambi. A polêmica obteve repercussão nacional e foi parar no TJD baiano, que anulou o resultado da partida e obrigou a FBF - Federação Baiana de Futebol - a marcar um novo jogo. Adicionalmente, o "Moleque Travesso" foi suspenso por um ano das competições profissionais por não apresentar médico em algumas partidas do campeonato.


Antes do vexame, as maiores derrotas foram um 6 a 0 para o Botafogo em 1972, um 8 a 1 que o Vitória de Osni, perturbado, emplacou em 1975. O Bahia deu 8 a 1 em 1981, quando o Leônico terminou o jogo com oito em campo. O máximo que o Leônico tinha tomado foi 9 a 0 do Bahia, em 1976, quando o titular ainda era Mickey, antes de Beijoca assumir a missão de levar o tricolor ao título que estava nas mãos do Vitória de Andrada e Fischer, campeão das duas primeiras fases.


Atualmente a diretoria do clube é encabeçada pelo vice-presidente e vereador Antônio Carlos da Silva, mais conhecido como "Bomba.


O livro "Leônico - 50 anos" de Guiovaldo Veiga, filho de Oswaldo Veiga, fundador do clube, é uma verdadeira memória viva do Leleco e do futebol baiano de um tempo que não volta mais.



Semelhanças entre o Leônico e o Juventus-SP:



  1. Ambos usam o grená e o branco como cores dos uniformes - camisa grená, calções brancos e meiões grenás;



  2. Ambos gostavam de aprontar pra cima dos grandes;



  3. Ambos gostam de aproveitar ex-jogadores em atividade em suas equipes;



  4. Ambos tem um título importante em suas vidas: Juventus, campeão da Taça de Prata (Brasileiro da 2º Divisão) de 1983 e Leônico, campeão baiano de 1966;



  5. Ambos tem uma torcida bem pequena e foram fundados por operários;e



  6. Ambos tem o apelido de "Moleque Travesso"



Por hoje é só, mas mais pra frente tentarei trazer mais fatos interessantes sobre o Leleco e de uma época que deixa saudades para os amantes do bom e velho futebol.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Quando um Gol faz aniversário


O gol é o momento mágico do futebol, principalmente quando bem trabalhado ou quando acontece num momento decisivo, embora para alguns mais pragmáticos seja apenas um detalhe. O fato é que gols também fazem aniversários, gols também ficam marcados para sempre na memória. E no último dia 3, um gol completou 30 anos. O gol que deu início à geração de ouro do Flamengo e foi o estopim para a fase mais vitoriosa do clube.


Naquele 3 de dezembro de 1978, Flamengo e Vasco decidiam o 2º turno do Campeonato Carioca. Em 1977, o Vasco havia vencido o maior rival nos penaltis e levado o título. No ano seguinte, o rubro-negro já havia vencido o primeiro turno e se conquistasse o segundo automaticamente seria campeão estadual depois de 4 anos. Naquele dia, o Flamengo precisava da vitória para evitar mais 2 jogos entre as duas equipes.


O Maracanã estava lotado, afinal era dia de "clássico dos milhões", mais de 120 mil pagantes acompanhavam a decisão, do lado rubro-negro Zico, Junior, Adílio e Cláudio Adão, do lado cruz-maltino Roberto Dinamite, Abel e o goleiro Leão. O jogo era muito importante, vice em 1977 e tendo feito má campanha no Brasileiro, o título representaria a consagração de uma geração que estava sendo formada dentro do clube mas que até então não havia conquistado nenhum título. O próprio Zico recentemente afirmou que um fracasso representaria o desmantelamento da equipe.


O jogo foi truncado, tendo o Flamengo mais volume de jogo e iniciativa, pois o Vasco estava fechadinho na busca pelo empate, já que era isso que precisava. Leão fechava o gol até os 41 minutos do 2º tempo, quando veio um escanteio dado de graça pelo Vasco. Segundo Zico, a jogada não foi ensaiada, apenas combinada. O time rubro-negro sabia que a zaga vascaína não era forte no jogo aéreo. O acertado era que em dado momento da partida a bola seria alçada na área para ver no que é que dava. O eterno camisa 10 da Gávea foi para a cobrança do tiro esquinado. A bola viajou até o meio da área para a cabeçada certeira e fulminante de Rondinelli, que veio lá de trás, a defesa vascaína apenas olhava para a bola e Abel ( o mesmo Abel Braga treinador) quase não saiu do chão.


O que se viu em seguida foi uma explosão típica de êxtase e barulho ensurdecedor que só um Maracanã lotado e a Nação Rubro-Negra podem proporcionar. O tiro fora certeiro. O Flamengo conquistava o título carioca e depois chegaria ao tri-estadual (1978,1979 e 1979 Especial), conquistaria o Brasileiro de 1980 e arrancaria rumo à Àmerica e ao Mundo em 1981. Esse gol de Rondinelli foi o embrião de inúmeras conquistas e da consolidação do Flamengo como maior torcida do Brasil.


Nos anos seguintes, os cartórios de norte ao sul do país registravam o nascimento de milhares de Rondinellis. O "Deus da Raça" conquistava o seu lugar no Hall of Fame Rubro-Negro e até hoje é reverenciado pela torcida.


Eis a ficha do jogo:


Flamengo 1 x 0 Vasco da Gama

3 de dezembro de 1978, no Maracanã

Árbitro: José Roberto Wright

Público: 120.433

Expulsões: Guina e Zico

Gol: Rondinelli (42 minutos do 2º tempo)

Flamengo: Cantarelli, Toninho, Manguito, Rondinelli e Júnior; Capergiani, Adílio e Zico; Marcinho, Cléber (Eli Carlos), e Tita (Alberto). Técnico: Cláudio Coutinho

Vasco: Leão, Orlando, Abel, Gaúcho e Marco Antônio; Helinho, Guina e Paulo Roberto; Wilsinho (Paulo César) Roberto Dinamite e Ramon (Paulinho). Técnico: Orlando "Titio" Fantoni


E assim com o passar dos anos gols importantes e fantásticos são lembrados pelos amantes do esporte bretão. O gol de Carlos Alberto, na final de 1970 é, talvez, o mais bonito pela construção da jogada, de todos os tempos. O de Maradona driblando meio time inglês no México, em 1986, é uma pintura. O gol de barriga de Renato Gaúcho no FlaxFlu de 1995. O gol de Raudinei no BaxVi decisivo de 1994. O gol de Petkovic no Tri do Flamengo contra o Vasco, de novo, em 2001 e por aí vai. Esses e muitos outros serão lembrados para sempre.


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Fábula das Ações


A Fábula das Ações


Num pequeno e distante vilarejo, apareceu um homem anunciando que compraria burros por R$10,00 cada.


Como havia muitos burros na região,os aldeões iniciaram a caçada. O homem comprou centenas de burros a R$10,00, e como os aldeões diminuíram o esforço na caça, o homem anunciou que pagaria R$20,00 por cada burro.Os aldeões foram novamente à caça, mas, tão logo os burros foram escasseando, os aldeões desistiram da busca.


A oferta aumentou então para R$25,00, e a quantidade de burros ficou tão pequena que já não havia mais interesse em caçá-los.


O homem então anunciou que compraria cada burro por R$50,00! Como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos burros.

Na ausência do homem, o seu assistente propôs aos aldeões:

- "Sabem os burros que o homem comprou de vocês? Eu posso vendê-los a vocês a R$35,00 cada. Quando ele voltar da cidade, vocês vendem a ele pelos R$50,00 que ele oferece, e ganham uma boa bolada".


Os aldeões pegaram suas economias e compraram todos os burros do assistente. Os dias se passaram, e eles nunca mais viram nem o homem,nem o seu assistente, somente burros por todos os lados.


Entendeu como funciona o mercado de ações?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Entrando numa fria


Novamente iremos até a remota e vasta Sibéria.Yakutsk, não confundir com Yakult, é uma cidade de 200 mil habitantes nos confins da Sibéria Oriental. Embora não figure no tabuleiro do War, ela está presente num jogo genérico chamado Risk. Mas o título mais importante que ela ostenta é o de cidade mais fria do mundo.


Em Janeiro a média fica em torno de 40°C negativos. A nevoa que cobre a cidade restringe a visibilidade a 10 metros. Moradores em pesados casacos de pele passam pela praça central, adornada por uma arvore de Natal congelada e uma estatua de Lenin.


O visitante, corajoso o suficiente, que quiser ir até lá descobre que temperaturas na casa dos 40°C negativos são descritas como 'frio, mas não muito frio'.


Yakutsk é a capital de Yakutia. região que abrange mais de 2.6 milhões de quilômetros quadrados e onde vivem menos de 1 milhão de pessoas (ou seriam lactobacilos vivos?). A cidade fica a seis fusos horários de Moscou, mas a viagem leva seis horas num precário avião Tupolev. A passagem custa pelo menos RS 1,8 mil ida e volta, uma quantia considerável em um pais em que o salário médio é de R$ 930 por mês.


Não há ferrovia até Yakutsk. As outras opções são uma viagem de 1,6 mil quilometros de barco subindo o rio Lena,nos poucos meses do ano em que ele não está congelado, ou então a 'estrada dos Ossos', uma rodovia de 2 mil quilômetros construida por prisioneiros do Gulag (o sistema penal soviético).


Em Yakutsk a maioria dos carros é de importados japoneses de segunda mão, que aparentemente resistem melhor ao frio do que os veiculos russos tradicionais. Ainda assim, os moradores costumam deixar o motor funcionando se vão parar apenas por meia hora, e alguns deixam-no ligado o dia inteiro, durante o expediente de trabalho, para garantir uma temperatura minimamente tolerável na volta para casa.


A fumaça dos escapamentos contribui para a névoa que paira sobre a cidade. A região foi inicialmente conquistada pelos russos na década de 1630.No século 19 era usada como prisão aberta para dissidentes politicos. Anton Chekhov, em sua Jornada de 1890 pela Sibéria, pintou um quadro sombrio da vida dos prisioneiros dali. 'Eles perderam todo o calor que já tiveram', escreveu. 'As unicas coisas que lhes restam na vida sao vodka, vagabundas, mais vagabundas, mais vodka... Não são mais seres humanos, mas bestas selvagens.' Lenin e Stalin foram dois dos presos politicos exilados em Yakutsk.


A região é rica em ouro e diamantes, razão pela qual os soviéticos decidiram transformar Yakutsk num importante centro regional, primeiro com o sistema de trabalho forçado do Gulag, depois colonizando a região com milhares de voluntários em busca de aventura, melhores salários e a chance de construir o socialismo no gelo. A megaempresa Alrosa, responsavel por 20% da oferta mundial de diamantes brutos, tem sua sede na região. Com o tempo Yakutsk virou uma cidade de verdade, com hotéis, cinemas, uma ópera, universidades, entrega de pizza e ate zoológico.


Os operários continuam trabalhando na construção civil até os 50°C negativos (abaixo disso o metal se torna quebradiço) e as aulas só são suspensas quando o termômetro cai abaixo de menos 55°C (embora o jardim-de-infância feche com menos 50°C).


E, para finalizar, alguns dados sobre o frio e suas cortantes temperaturas:


A 5°C negativos o frio pode ser refrescante. A 20°C negativos a umidade no nariz se congela e fica difícil não tossir. A 35°C negativos a pele exposta ao ar fica dormente e a necrose é um risco. E a menos 45°C até usar óculos fica complicado. O metal gruda no rosto e nas orelhas e rasga pedaços da pele quando voce decide tirá-los.