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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Entrando numa fria


Novamente iremos até a remota e vasta Sibéria.Yakutsk, não confundir com Yakult, é uma cidade de 200 mil habitantes nos confins da Sibéria Oriental. Embora não figure no tabuleiro do War, ela está presente num jogo genérico chamado Risk. Mas o título mais importante que ela ostenta é o de cidade mais fria do mundo.


Em Janeiro a média fica em torno de 40°C negativos. A nevoa que cobre a cidade restringe a visibilidade a 10 metros. Moradores em pesados casacos de pele passam pela praça central, adornada por uma arvore de Natal congelada e uma estatua de Lenin.


O visitante, corajoso o suficiente, que quiser ir até lá descobre que temperaturas na casa dos 40°C negativos são descritas como 'frio, mas não muito frio'.


Yakutsk é a capital de Yakutia. região que abrange mais de 2.6 milhões de quilômetros quadrados e onde vivem menos de 1 milhão de pessoas (ou seriam lactobacilos vivos?). A cidade fica a seis fusos horários de Moscou, mas a viagem leva seis horas num precário avião Tupolev. A passagem custa pelo menos RS 1,8 mil ida e volta, uma quantia considerável em um pais em que o salário médio é de R$ 930 por mês.


Não há ferrovia até Yakutsk. As outras opções são uma viagem de 1,6 mil quilometros de barco subindo o rio Lena,nos poucos meses do ano em que ele não está congelado, ou então a 'estrada dos Ossos', uma rodovia de 2 mil quilômetros construida por prisioneiros do Gulag (o sistema penal soviético).


Em Yakutsk a maioria dos carros é de importados japoneses de segunda mão, que aparentemente resistem melhor ao frio do que os veiculos russos tradicionais. Ainda assim, os moradores costumam deixar o motor funcionando se vão parar apenas por meia hora, e alguns deixam-no ligado o dia inteiro, durante o expediente de trabalho, para garantir uma temperatura minimamente tolerável na volta para casa.


A fumaça dos escapamentos contribui para a névoa que paira sobre a cidade. A região foi inicialmente conquistada pelos russos na década de 1630.No século 19 era usada como prisão aberta para dissidentes politicos. Anton Chekhov, em sua Jornada de 1890 pela Sibéria, pintou um quadro sombrio da vida dos prisioneiros dali. 'Eles perderam todo o calor que já tiveram', escreveu. 'As unicas coisas que lhes restam na vida sao vodka, vagabundas, mais vagabundas, mais vodka... Não são mais seres humanos, mas bestas selvagens.' Lenin e Stalin foram dois dos presos politicos exilados em Yakutsk.


A região é rica em ouro e diamantes, razão pela qual os soviéticos decidiram transformar Yakutsk num importante centro regional, primeiro com o sistema de trabalho forçado do Gulag, depois colonizando a região com milhares de voluntários em busca de aventura, melhores salários e a chance de construir o socialismo no gelo. A megaempresa Alrosa, responsavel por 20% da oferta mundial de diamantes brutos, tem sua sede na região. Com o tempo Yakutsk virou uma cidade de verdade, com hotéis, cinemas, uma ópera, universidades, entrega de pizza e ate zoológico.


Os operários continuam trabalhando na construção civil até os 50°C negativos (abaixo disso o metal se torna quebradiço) e as aulas só são suspensas quando o termômetro cai abaixo de menos 55°C (embora o jardim-de-infância feche com menos 50°C).


E, para finalizar, alguns dados sobre o frio e suas cortantes temperaturas:


A 5°C negativos o frio pode ser refrescante. A 20°C negativos a umidade no nariz se congela e fica difícil não tossir. A 35°C negativos a pele exposta ao ar fica dormente e a necrose é um risco. E a menos 45°C até usar óculos fica complicado. O metal gruda no rosto e nas orelhas e rasga pedaços da pele quando voce decide tirá-los.








quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Mistério de Tungunska


Diversos fenômenos misteriosos são sempre alvo de curiosidade e estudo por parte do homem. O evento que irei tratar nesse post refere-se ao intrigante fenômeno que aconteceu em Tungunska, na Sibéria Central, na antiga e extinta União Soviética.



No dia 30 de junho de 1908, às 7h15 da manhã, houve uma gigantesca explosão após uma bola de fogo ter sido vista atravessando o céu. Não foram encontrados vestígios de meteorito, mas uma onda de impacto devastou toda a região do lago Baikal, afetando em menor grau todo o norte da Europa. Este evento recebeu o nome desta região, evento de Tunguska.


Segundo testemunhas, ao cruzar o céu e em seguida tocar o solo, uma bola de fogo gerou uma enorme explosão caindo próximo à bacia do Rio Tunguska, uma região remota e praticamente desabitada. Foram destruídos aproximadamente 2000 quilômetros quadrados de florestas em redor do local do suposto impacto devastando cerca de 50000 árvores.


O impacto fora tão violento que liberou uma energia 1000 vezes superior à explosão da bomba de Hiroshima. O estrondo foi ouvido a 800km de distância e há relatos de pessoas que estavam a mais de 60km do local disseram que sentiram uma forte onda de calor.


Para se ter uma idéia, durante dois dias em Londres, a cerca de dez mil quilômetros de distância do evento, se podia ler jornal à noite graças à luminosidade remanescente, enquanto a finíssima poeira dispersava-se na atmosfera terrestre se aproximando de regiões cada vez mais distantes.


Existem algumas teorias que tentam explicar o que aconteceu. Segundo físicos nucleares, pode ter sido algum fragmento de antimatéria destruído em energia ao se deslocar na atmosfera Terra lançando raios gama.


Entretanto, a ausência de radioatividade residual em quantidade significativa contradiz esta teoria.


Uma outra teoria aponta para a passagem de um minúsculo buraco negro pela Terra, porém não existem registros de ondas de choque provenientes do Atlântico Norte.


A única certeza e unanimidade no evento é a sua descrição: "a gigantesca explosão seguida de uma monumental onda de choque e incêndio na floresta."


Um outro fato intrigante é que, também, não existem vestígios de cratera de impacto na região.


A única explicação aceitável é a provável queda de um pedaço de cometa atingindo uma velocidade de entrada em torno de trinta quilômetros por segundo. Pode-se aceitar que seu tamanho poderia ter algo em torno de cem metros de comprimento, pesando cerca de um milhão de toneladas.


Os indícios encontrados por Emlen V. Sobotovich levam a crer que realmente o evento de Tunguska foi a queda de um pequeno cometa.


Os cometas são formados principalmente de gelo de metano (CH4), gelo de amônia (NH3), e gelo de água (H2O). Entrando na atmosfera da Terra com uma velocidade de 31 km por segundo, um objeto deste produzirá uma enorme bola de fogo que irradiará muita luz e energia, causará uma onda de vento de grande intensidade e temperatura que queimará instantaneamente árvores e o que estiver em seu caminho.


No caso de Tunguska o cometa desintegrado-se a 6km de altitude pela atmosfera terrestre explicaria a presença de pequenas esferas de silício espalhadas pela região e assim a ausência de cratera além de, segundo alguns, o achamento de micro-diamantes.Estes são formados pela enorme pressão e temperatura no momento de reentrada e no impacto com a superfície. A matéria prima é o carbono do metano do próprio cometa que se aquece rapidamente e não se dispersa, ao contrário do hidrogênio. Foram estes minúsculos diamantes que Sobotovich encontrou na região do suposto impacto. Estudiosos têm encontrado freqüentemente micro-diamantes em regiões impactadas por meteoritos que provavelmente se formaram em interiores cometários e sobreviveram à entrada na atmosfera.


Porém há outra corrente de pesquisadores que acreditam que o mais provável seja que a área tenha sido atingida por consecutivos impactos de asteróides.


E, há ainda, outra teoria de um cometa, sustentada por cientistas russos, em que se afirma que a explosão tenha sido causada por um violento choque de um cometa gasoso.


Para os que gostam de conspirações extraterrenas, o escritor russo Alexandre Kazantev, autor de livros de ficção científica, acredita que em 1948 uma nave espacial marciana teria se chocado contra a Terra. Tal hipótese foi até utilizada no jogo Destroy all Humans! 2 com a Terra servindo de refúgio para os alienigenas que teriam perdido uma guerra.


Especula-se que talvez esse meteoro tenha caído no lago, e não em solo, como dizem diversos especialistas. Estudos recentes mostram que mapas militares não traziam a informação de que haveria um lago na região. Talvez o impacto tenha aberto uma fenda em algum lençol freático e assim originado o lago. Os estudiosos afirmam que o fundo do lago tem o formato de um funil, além de linhas - supostamente as árvores que afundaram junto com o impacto. Os estudiosos que foram até o local dizem ainda que o resto do lago foi feito através da erosão do solo.



O fenômeno de Tunguska continua insolúvel até hoje devido à remotalidade do local, da época, da ausência de cratera ou provas mais concretas, mantendo misterioso o verdadeiro causador de tal centenário incidente.


Como diria Dona Milú, em Tieta do Agreste:


- Mistério!